Freguesia de Cabreiros

 

Esta freguesia, que dista oito quilómetros de Braga e doze de Barcelos, era povoação atravessada por uma via romana que vinha de Barcelos fazer ligação à estrada romana de Braga-Astorga. Cortava os lugares de Porto de Martim e Sacota, onde, ainda hoje, se encontram vestígios, servindo mais tarde de leito ao regato que desagua no rio Lavriorte – hoje Labiosque – que, banhando a freguesia deMartim, vai desaguar no rio Cavado, na freguesia da Pousa.

Por estar situada no sopé do monte das Caldas (águas cálidas = quentes), Castro romano com Caldas, facilmente se conclui que os seus primeiros habitantes foram romanos castrenses.

Depois da queda do Império Romano (313), e das invasões dos povos bárbaros que tentaram destruir toda a civilização romana, a Península Ibérica foi invadida pelos Árabes que, no princípio do sec. VIII (711), aqui penetraram e durante 4 séculos, impuseram também a sua civilização. Surgiram então as Cruzadas de Ocidente e, com elas, alguns núcleos de resistência, dos quais destacamos o reino de Castela, sob o comendo do rei D. Afonso VI, pai de D. Teresa, esposa do conde D. Henrique, pais de D. Afonso Henriques, 1.º Rei de Portugal (1143).

O 1.º documento desta época a falar da actual freguesia, então com o nome de S. Miguel de Torgolosa, data do ano de 1079.

Porquê este nome? Porque este vale era rico de “Torga”, planta da família da urze, muito apreciada na alimentação e saúde do gado caprino e que, por isso mesmo, atraía para aqui muitos rebanhos, em busca das ervas milagrosas…

À noite, os pastores concentravam os rebanhos numa planície onde levantaram um barracão coberto e aí, durante a noite, enquanto uns ficavam de vigia aos rebanhos por causa dos lobos, os outros pousavam. a esta zona deram o nome de “Bica”, lugar que é o coração da freguesia e onde, ainda hoje, existe um vestígio dessa enorme poça (Bica), cuja água, vinda do monte de S. Gens, matava a sede aos rebanhos e enchia os potes onde os pastores cozinhavam as refeições ambulantes para todo o dia. Os mais idosos ainda lhe chamam o lugar da Poça e família da poça. Esta quinta pertence hoje à Senhora D. Adélia e seus filhos.

Do lado Norte, o lugar da torre, como torre de igreja, lembra o ponto mais alto onde, à noite, os pastores dependuravam os chocalhos das cabras para afugentar os lobos. Em 1212, aparece já com a denominação de S. Miguel de Caprários – palavra que naturalmente evoluiu para “Cabreiros” (latim “capra” deu em português “cabra”).

Podemos então perguntar: porquê a substituição das palavras “Torgalosa” e “Torganosa” por “Caprários” e “Cabreiros”? Simplesmente por uma questão de primazia: substituição do nome ervas(torgas) por seres humanos-pastores de cabras=Cabreiros. Sem dúvida que os homens são mais importantes que ervas…

A propósito, pensamos também que o lugar de Corgas desta freguesia deve ter sido primeiramente “Torgas” (urze), a tal erva medicinal, tendo havido, como em tantos casos, uma troca de duas letras – T por C.

Pertenceu ao concelho de Barcelos até ao dia 24 de Outubro de 1853, data em que, por decreto, ficou a pertencer ao Concelho de Braga.

 

 

Texto retirado do livro

“Memórias de um Páraco”

Autor: Padre Henrique da Costa Macedo